Dia das crianças com uma xícara de chocolate quente!

Daqui até final de dezembro serão muitos oportunidades pra criançada ganhar presentes: dia das crianças, confraternizações, amigo secreto, natal.

O problema não está no ato de presentear, mas no presente em si!

Cada vez mais o apelo consumista exige dos pais presentes mais e mais caros e na banalidade do ato. Sim, porque agora as crianças ganham presentes a todo o tempo.

A pressão vem por todos os lados:

- nos comerciais enquanto seus filhos assistem a um inocente programa;
- nos amigos da escola ou da vizinhança; afinal, todo mundo tem;
- pressão social por parte de outros pais que também exibem o que estão proporcionando às suas crianças;
- nos passeios aos shoppings ou nos supermercados;
- num gibi que a criança está lendo;
- quando a criança acessa um site infantil pra brincar.

Está difícil nadar contra a maré e a “batalha” pais X publicidade infantil está ficando cada vez mais desequilibrada. Mas eu ainda creio que a RESPONSABILIDADE É NOSSA.
Nossa pra intervir junto às crianças e nossa pra intervir junto aos órgãos que regulamentam a publicidade como alguns grupos de pais já têm feito.

Segundo Philip Kotler:
“O profissional de marketing precisa tentar compreender as necessidades do mercado-alvo, seus desejos e suas demandas. Necessidades descrevem exigências humanas básicas. As pessoas precisam de comida, ar, água, roupa e abrigo para poder sobreviver. Elas também têm uma necessidade muito grande de recreação, educação e entretenimento. Essas necessidades se tornam desejos quando são dirigidas a objetos específicos capazes de satisfazê-las. Um norte-americano necessita de comida, mas deseja hambúrguer, batatas fritas e um refrigerante. Um habitante das Ilhas Maurício necessita de comida, mas deseja uma manga, arroz, lentilhas e feijão. Desejos são moldados pela sociedade em que se vive.”
“…Profissionais de marketing não criam necessidades: as necessidades existem antes dos profissionais de marketing. Os profissionais de marketing, paralelamente a outras influências da sociedade, influenciam desejos. Eles podem promover a idéia de que um Mercedes satisfaz a necessidade de status social de uma pessoa. Eles não criaram, entretanto, a necessidade de status social.”

Sim, consumismo é uma questão cultural de uma sociedade. E na nossa sociedade estamos bastante preocupados em ter pra mostrar. Por isso que afirmo que a responsabilidade ainda é nossa, porque se todo esse apelo consumista existe é porque damos oportunidade pra ele. Portanto, apenas lutar contra a exagerada publicidade infantil não é toda solução. Mas antes, quebrar os vícios culturais e sociais que acabam ditando nosso comportamento.

As crianças tem de tudo e a todo o momento. ” Necessidades” sendo satisfeitas muito antes delas existirem : computador no quarto, iPad, iPod, iPhone, DS, PlayStation, WII, XBox e brinquedos da moda, roupas e sapatos de grife com as marcas bem evidentes.
Vejam, o problema não é ter essas coisas, mas em tê-las todas juntas, a todo o momento, antes da hora e pela motivação errada.

A facilidade da satisfação das necessidades cria uma eterna insatisfação…
Gera adultos frustrados porque nem sempre conseguem o que querem.

Como diz meu filho: “get what you get and don’t get upset”.

Eu creio que resgatar a simplicidade é um caminho. E como mãe, uma das minhas preocupações é que os pequenos valorizem o que têm, saibam entender e respeitar o momento certo de ganharem algo e que busquem a satisfação não em ter, mas em serem pessoas que façam diferença.

Mas como? Algumas poucas sugestões…

- Presentear com o que eles desejarem, mas que esteja dentro do orçamento familiar, nas datas que você julgar especial (aniversário, natal);
- seja criativo nos presentes e comemorações! O dia do aniversário pode ser um dia em que a criança se sinta especial ao invés de uma grande festa pra muitas pessoas;
- manter um diálogo com a criança sobre consumo, até mesmo sobre as finanças da família “nós não vamos comprar isso agora porque estamos juntando pra viajar nas férias”, “precisamos trocar os pneus do carro da família”. A criança não precisa saber os detalhes, mas apenas ter uma noção de que existe outras preocupações, outros projetos;
- cultivar simples atos como um café na cama no dia das crianças, ela mesma fabricar e escrever os cartões de aniversário dos amigos, ela decorar o próprio bolo do aniversário;
- ter tempo e tempo de qualidade com suas crianças, estar sempre com eles, participar da vida delas com intensidade!

No último natal foi bastante legal. Cada um ganhou um brinquedo que queria, uma pelúcia (os três adoram as pelúcias) e livros! Não que a lista de pedidos não tenha sido gigante…ela foi, mas eles ficaram felizes com o que ganharam!

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Algo que também me deixou bastante impressionada e feliz foi quando meu filho mais velho chegou da escola com o presente de natal da professora.

Era um saquinho plástico, com um pacote de pó pra fazer chocolate quente, punhadinho com uns oito marshmallows e um pequeno poema sobre uma xícara de chocolate quente!

A felicidade dele era tanta que me pediu pra ajudá-lo a preparar. Fizemos o chocolate, ele tomou e pronto!

Simplicidade traz alegria! Aquele dia ficou marcado pra mim.

Sempre gostei de presentear e tem sido um exercício pra mim nos últimos 5 anos mudar meus conceitos, um exercício. Mais uma vez, não é fácil, eu sei… mas quando vejo a satisfação de uma criança na simplicidade de uma xícara de chocolate quente, sim, vale a pena!

Verônica Soares
11/10/2013

3 Comentários

  1. Excelentes os seus pontos Veronica, estou com você. beijos

  2. Verdade… A verdadeira alegria está na simplicidade, na minha experiência, troco o chocolate quente por uma bacia de pipoca!

  3. Ana

    Falou tudo! Quantas vezes fiz todas as vontades e nem assim vi aquele brilho no olhar…Hoje, já me contenho…
    Parabéns pelo blog. Precisamos dos seus textos… Oportuno. Bjâo!

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